"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

5 de dezembro de 2015

Opinião - "A História de Lupita", de Laura Esquivel

A História de Lupita
(A Lupita le gustaba planchar)
de Laura Esquivel

Edição: 2015
Páginas: 224
Editor: Edições ASA
ISBN: 9789892330587
Categoria: Ficção
Lupita é uma mulher fora de série. Forte. Ardente. Inesquecível. Numa sociedade obcecada com as aparências, o dinheiro e o poder, ela é uma heroína improvável. Uma lutadora que protege os mais fracos e injustiçados.
Lupita é também uma mulher com um passado doloroso. Frágil. Romântica. Devastada. Que vive com memórias agridoces de um tempo que, sabe, não voltará.
Na sua busca por amor, ela dá por si no lugar errado à hora errada. Bastarão apenas uns segundos para mudar a sua vida. Ao testemunhar um assassinato, Lupita passa a ser uma mulher marcada. Mas a revolta que nasce dentro de si é mais forte do que o medo que sente. A vítima, Arturo, era o único homem em que acreditava incondicionalmente. A sua morte leva-a a tomar uma decisão extrema: lutar até ao limite das suas forças e fazer justiça… por Arturo, por si própria e por todos aqueles que não têm voz.
A escritora mexicana Laura Esquivel, autora do clássico contemporâneo Como Água para Chocolate, está de volta com uma parábola mágica sobre afectos, coragem e redenção. A sua linguagem plena de misticismo e espiritualidade dá vida a uma mulher excepcional, uma heroína atípica que ficará gravada para sempre na memória dos leitores.

Tenho por norma ler primeiro a sinopse ou saber de antemão do que trata o livro, pois gosto de saber em que mundo vou entrar. Claro que, por vezes, sou surpreendida porque a ideia que criei de início, não é totalmente correcta. Aconteceu-me esta situação ao ler este livro.

Lupita é uma mulher polícia no México - uma mulher num mundo de homens, num país onde o crime e a corrupção estão acima de qualquer pessoa, lei ou credo. Ora, só isto era suficiente para explicar todo o livro, mas Lupita é muito mais.
Tudo começa quando a personagem assiste ao assassínio do presidente da câmara da sua cidade. O caso tem de ser investigado pelas autoridades mas não esmiuçado pois, na realidade, há coisas que não se convém saber. Tudo poderia passar despercebido, se Lupita não se fosse meter com as pessoas erradas em busca de respostas, acabando por ficar em maus lençóis. Porquê que Lupita não ficou quieta e calada? Porquê que tentou limpar o nome do homem que esta cria ser honesto e competente? Porquê que não se limitou a esquecer? São as respostas a estas questões que vamos vendo desenrolar-se ao longo das quase 250 páginas - as dores e as mágoas de uma mulher com um passado triste e amargo, a procura da felicidade, a contemplação e o encontro da paz e da consciência. Tudo o que a levou àquele ponto e a tornou na mulher que é.
Achei particularmente interessante a divisão dos capítulos. Cada capítulo começa com uma frase descritiva: "Lupita gostava de (qualquer coisa)", o que mostra a dualidade desta. A frase em si denota a simplicidade e normalidade de uma pessoa comum mas, ao lermos o porquê de Lupita gostar de algo, entramos num mundo negro e cheio de mágoa, entramos na sua mente. Acaba, quase, por funcionar como o ponto de partida para uma análise interior, as razões da razão.

Não sendo exactamente o que estava à espera de encontrar, não desgostei do livro pois trata de assuntos bastante relevantes e reais e conseguiu por-me a pensar em certos aspectos de mim própria e até de outras pessoas.

Acho que este livro irá depender sempre do estado de espírito de cada leitor e, esse pormenor, irá ditar se irão adorar a leitura e encontrar uma mensagem formidável nela ou se será apenas a história de uma mulher num mundo de loucos.

2 comentários:

  1. Olá!
    Quero ver que leio este livro em 2016 pois já há muitos anos que não leio nada de Laura Esquivel e deixaste-me curiosa com a tua opinião, mesmo não sendo o que esperavas.
    Beijinhos

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  2. Olá Tita! :)
    Acho que fazes bem porque, apesar de tudo, ele merece ser lido. No meu caso, que o li nas viagens de comboio, talvez não o tenha conseguido saborear como deveria. Mas irei relê-lo, nem que seja só para tirar as teimas :p
    Beijinhos*

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