"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

26 de julho de 2015

Opinião - "Deste Lado da Luz", de Colum McCann


Deste Lado da Luz
(This Side of Brightness)
de Colum McCann

Edição: 2011 (original 1998)
Páginas: 256
Editor: Civilização Editora
ISBN: 9789722633123
Categoria: RomanceFicção



Sinopse: 
Na viragem do século XX, Nathan Walker muda-se para a cidade de Nova Iorque para executar o trabalho mais perigoso do país: escavar o túnel sob o rio Hudson que servirá o metro entre Brooklyn e Manhattan. Nas entranhas do leito do rio, os trabalhadores – negros, brancos, irlandeses e italianos – escavam em conjunto, com a escuridão a ocultar as diferenças. Mas, à superfície, os homens mantêm a distância até um acidente dramático num dia de Inverno forjar um laço entre Walker e os seus colegas que irá abençoar e ao mesmo tempo amaldiçoar três gerações. Quase noventa anos depois, Treefrog encontra os mesmos túneis e cria um lar no meio de drogados, alcoólicos, prostitutas e criminosos que constituem a comunidade esquecida dos sem-abrigo. Deste Lado da Luz entrelaça factos históricos com ficção, criando uma história notável de morte, racismo, vida nas ruas… e amor – que abrange quatro gerações.

Estou completamente rendida a este autor! Apesar deste ser o primeiro livro que leio dele, parece-me que os restantes seguem o mesmo registo de escrita e de acção o que, sinceramente, adoro! Frases curtas, directas, acção sem grandes "floreados" ou pormenores desnecessários, história crua e cruel que te faz doer o coração, especialmente porque "conheces" as personagens e sabes que muito do que lês é baseado na realidade de ontem e de hoje (e, provavelmente, de amanhã). Tudo é inesperado pelo simples motivo de que as coisas acontecem porque têm de acontecer, tal como na vida real, não há explicações ou motivos.

A história começa com Nathan Walker, um jovem negro sandhog, mineiro, que escavava os túneis sob o rio (sim, debaixo do rio!) para o futuro metro da cidade. A sua vida nunca será fácil: ser negro numa sociedade maioritariamente racista, o corpo deteriorar-se a olhos vistos devido à profissão, perder, de forma estúpida e brutal, as pessoas que ama, as saudades e, no fim, a frase "Agora que somos felizes, o que fazemos?". Ainda sinto um arrepio quando me lembro desta frase do livro...
Noventa anos mais tarde encontramos Treefrog, um sem abrigo que vive nos mesmos túneis, hoje abandonados, que Nathan ajudou a abrir, e toda a sua vida trágica. É aqui que o destino de ambas as personagens se escreve, é aqui que tudo começa e tudo acaba, é aqui que percebemos que existe um mundo aparte para além do visível.
Nada do que vemos ao longo do livro é fácil ou bonito e, quando o é, será por muito pouco tempo. A luta daqueles que são considerados diferentes pela sociedade e que - espante-se! -, apesar da evolução dos tempos, muita coisa se manter igual. É, de facto, tocante e confesso que me foi bastante difícil conter uma lagrimazinha ou outra enquanto o lia.

Este autor tem - mesmo - o dom da palavra. O livro é tão vívido, directo e cru que se torna simplesmente fantástico. Obrigatório ler!

E com isto já tenho o "Deixa o Grande Mundo Girar" na Wishlist!

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