"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

3 de junho de 2015

Opinião - "O Coração é um Caçador Solitário", de Carson McCullers

O Coração é um Caçador Solitário
de Carson McCullers

Edição: 2010
Páginas: 360
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722343398
Colecção: Obras Literárias Escolhidas # 13
Categoria: Romance, Ficção, Clássicos



Sinopse

No Sul profundo dos Estados Unidos, em plena década da Grande Depressão, num cenário desolado, de pobreza, intolerância e isolamento, John Singer, um mudo, torna-se de súbito confidente de um grupo de personagens desenquadradas da sociedade. Todos procuram à sua maneira preencher o vazio deixado pelos sonhos perdidos - e todos, por algum motivo, acham que Singer os compreende. Mas Singer, impassível na sua mudez, não tenta alcançar nada senão a atenção de um amigo que não manifesta mais que indiferença… Uma obra expressiva e poderosa que permanece actual na sua projecção de uma realidade intrínseca à condição humana.


Antes de mais devo dizer que, inicialmente, este livro provocou em mim algo que não acontecia há algum tempo em relação a um livro: dúvida. Não consigo dizer se o adorei ou se simplesmente meh.

Agora que parei para pensar, cheguei à conclusão que se deve à perspectiva das coisas, ou seja, com que olhar vemos a história. Ora bem, em primeiro lugar, e de um ponto de vista mais imediato e simplista, a narração não é nada de extraordinário e a história em si é contada através de frases curtas e directas, pouco fundamentando a perspectiva das personagens e do próprio período histórico em que se encontram. Logo, meh. Em segundo lugar, e de um ponto de vista pensado, ponderado e analisado em termos políticos, sociais, psicológicos e históricos, (e atenção que não sou especialista em nenhuma das áreas, apenas curiosa) o livro é fenomenal, isto porque a ligação entre as personagens, que parece apenas estranha, tem muito que se lhe diga. Encontramos um inconformismo e uma revolta latente em cada indivíduo, uma mágoa profunda criada pela incompreensão e uma necessidade de se ser ouvido, em suma, o sentimento inconsciente de todo o ser humano. Este assunto dava pano para mangas, como se costuma dizer, mas como não vos quero maçar com divagações, partilho apenas as ideias gerais do que apreendi nas páginas deste livro. Acredito, no entanto, que não seja uma opinião semelhante a outras pois penso que a particularidade deste livro é mesmo essa, o não provocar um mesmo sentimento nos seus leitores.

A história desenrola-se nos EUA, nos finais dos anos 30, onde os efeitos devastadores da Grande Depressão ainda se fazem sentir e onde já se começa a ganhar consciência de que algo mau se passa na Alemanha e na Europa com um tal de Hitler. Para além disto, vive-se ainda numa época de ostracismo entre "brancos" e "negros" . Tudo isto junto e temos o panorama americano da época, um sociedade em ebulição.

A narrativa é dividida pelos pontos de vista das cinco personagens principais, cada uma mais diferente que a anterior, que se debatem no seu dia-a-dia com problemas (especialmente problemas interiores) que parecem não conseguir resolver. Conhecemos John Singer, um surdo-mudo, que ao perder o seu único amigo e confidente se vê numa espiral de solidão, mesmo rodeado de gente; Mick Kelly, uma jovem Maria-rapaz de 14 anos, apaixonada por música e cheia de sonhos e objectivos tão próprios da adolescência; Jake Blount, um revolucionário e agitador que tenta, a todo o custo, espalhar as suas ideias acabando por ser alvo de chacota e que, na sua frustração, bebe desmesuradamente; Dr. Benedict Copeland, um médico negro que tem como objectivo de vida educar as pessoas como forma de acabar a desigualdade a que são sujeitos; e Biff Brannon, o proprietário de um pequeno café que vê a sua vida passar-lhe ao lado sem saber bem como mudar tal situação e que encontra algum tipo de conforto a observar os outros. Apesar de todos se conhecerem, o seu elo de ligação é John Singer que, sem saber bem como, se torna no ombro amigo e no único "ouvinte" capaz de os entender. Mas quem é capaz de ouvir Singer e perceber realmente quem ele é, o que pensa e o que precisa?

Apesar de à primeira vista não fazer muito sentido, podem, no entanto, ter a certeza que em todos estes indivíduos encontramos uma moral, um retrato tão fiel da humanidade que nos desconcerta e que, apesar de terem "vivido" nos finais dos anos 30, o seu âmago mantém-se o mesmo. Todas as suas lutas, desejos e mágoas tocaram-me profundamente apesar de, como já disse anteriormente, a narrativa não ser nada de extraordinário.

Este é um daqueles livros dos quais não se podem fiar por reviews, têm mesmo de o ler para tirarem a vossa própria conclusão pois tem de ser interiorizado para ser realmente apreciado.

Para mim, um bom livro!

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