"Life feels like a midnight ride..." - SOAD

16 de maio de 2010

Fugir


Muitas vezes digo que tenho uma arca frigorífica no lugar do coração, não por ser uma pessoa má ou mesquinha mas porque, já há algum tempo, que o deixei de sentir bater, o seu calor. Guardei-o tão bem num cantinho, conservado num trono gelado, que me esqueci que o tenho.
Pobre coitado já lutou tantas e tantas guerras, sempre na frente de batalha ...precisava de paz para poder cicatrizar as suas feridas.
Sem coração, tal mulher de lata, sigo hoje o meu caminho. Afasto as pessoas que me querem, afasto-me (quase que fujo!) das pessoas que quero...mecanismo de defesa de um cérebro cansado e de um coração hibernado e em convalescença.

Hoje fugi. Não tenho coragem de verbalizar o que realmente sinto, o que realmente quero. Perdi a minha oportunidade, mais uma vez. O meu pensamento atrapalha-me, as ideias surgem soltas toldando-me o discernimento e, sim, perdi a minha oportunidade. Já não há maneira de voltar atrás...

Sombra gentil e doce, toca-me o peito, aquece-me, cura as minhas feridas. Segura-me as mãos quando tiver medo e quando sentires que tremo hesitante, puxa-me que eu salto contigo este precipício. Não me deixes fugir...agarra-me e o meu trono de gelo derreter-se-á.
Não me deixes fugir...estou cansada de fugir...não quero mais fugir...

14 de maio de 2010

Humanidade

Preguiça.
Saio de casa e um tímido raio de sol rompe a negra nuvem que o teima em esconder, dando-me os bons dias. Sorrio levemente pois ainda me sinto a dormir.
Caminho meio perdida e reparo nos inúmeros carros que passam por mim numa azáfama doida. Assimilo-os a formigas na sua labuta diária, formigas grandes, de metal que correm para os seus formigueiros. Não vejo as pessoas, apenas os carros. A esta hora até podiam ser conduzidos por marcianos que não iria reparar.
No meio da cidade o caos instala-se. Decido parar e fechar os olhos por uns segundos e, de repente, encontro-me no meio de uma guerra! Oiço crianças a chorar, homens e mulheres a gritar, carros a passar, a travar, a buzinar, sons irritantes a vibrar de um telemóvel qualquer. Cheira-me a óleo queimado, a fumo, a café torrado, a suor retardado, a mágoas escondidas, a um esgoto a transbordar. Tenho medo de abrir os olhos e estar rodeada de corpos sem vida, de estar a pisar uma poça de sangue e de ter um homem com uma arma apontada a mim. Forço-me a voltar à realidade. Abro os olhos. Tudo está como antes. A azáfama continua, as pessoas correm, atropelam-se para chegar ao seu destino. Não ligam, não querem saber de mais nada nem ninguém.
Oiço uma criança perguntar à mãe "o que está aquela rapariga a fazer ali parada e de olhos fechados?". Sinto-me um pouco constrangida, e a mãe responde "Nada! É maluquinha, não olhes!". Olho para o menino, tão curioso, e sorrio enquanto este é arrastado por um braço pela mãe. Quem me dera ser criança outra vez para reparar nas coisas, para olhar para algo e sentir que é a primeira vez que as vejo.
Neste instante sinto-me como um fantasma que vê a Humanidade passar sem lhe conseguir tocar. Acredito na sua ruptura. Acredito que enquanto não abrirmos os olhos, caminhamos para o fim. Ninguém liga, não querem saber. E assim se passam os dias por aqui.
Volto para casa e enquanto abro a porta penso "amanhã...sim, amanhã será um dia melhor!", sorrio e fecho a porta...
Até Amanhã.

13 de maio de 2010

Re-descoberta

Deixei de escrever. Um dia simplesmente acordei e pensei "louca criança que perdes as tuas horas a rabiscar folhas de papel com tolices!". Então, deixei de escrever...
A vida já não me parecia motivo para divagar, tudo corria inesperadamente calmo, sem imprevistos ou percalços. Um dia era apenas mais um dia. A loucura, a revolução sempre tão latente em mim, foi ficando cada vez mais pacífica. Até que nesse dia, enroscou-se sobre si mesma e adormeceu.
Nada de novo... nada a declarar... a banalidade não nos dá ânsias de desabafar. E deixei de escrever. Loucura? Loucura é o que se passa na Assembleia da República e escrever sobre política...what's the point?
Lentamente esqueci a beleza das palavras, o poder que têm, o formigueiro que se sente na ponta dos dedos quando o nosso cérebro se encontra em embulição! Tornei-me uma capa sem conteúdo...
Hoje...Hoje acordei e pensei "oh, triste! No que me tornei?" e acabei revoltada. A minha mente fervilhou de uma maneira atróz, tive vontade de chorar, tive vontade de rir, tive vontade de gritar! E foi tão bom...
Bem vinda loucura que durante tanto tempo dormiste! Senti a tua falta!
As minha mãos começaram a transpirar e uma quase corrente eléctrica correu pelos meus dedos...voltei a escrever! Voltei a ser EU!

Eis a preciosa lição que tirei desta hibernação inconsciente...por mais que nos acomodemos ao mundo, a tudo o que nos rodeia, NUNCA nos podemos perder de nós próprios. Não podemos NUNCA deixar adormecer a nossa alma, a essência de cada ser, o idiotismo e a loucura que temos no interior.

Hoje voltei a escrever...e espero nunca mais parar!

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